Atenção Integral da Saúde dos Trabalhadores


A atenção integral da saúde dos trabalhadores não chega a ser uma novidade no Brasil. Desde o estabelecimento da Lei Orgânica da Saúde, a integralidade é uma das estratégias de políticas públicas de saúde no Brasil. No entanto, apesar de a saúde do trabalhador ser parte integrante desta Política, sua plena implantação no Sistema Único de Saúde ainda não se concretizou e é bastante restrito o acesso dos trabalhadores a serviços de atenção integral à sua saúde.

De outro lado, os serviços de Saúde e Segurança em empresas foram implementados no Brasil a partir de requerimentos legais, bastante focados na saúde ocupacional, distanciando-se da assistência e, portanto, de um olhar mais holístico para a saúde dos trabalhadores. Não por acaso, este modelo trouxe aos profissionais de saúde e segurança uma abordagem mais focada no cumprimento dos requerimentos legais, com raras incursões a políticas mais abrangentes.

Este cenário começa a mudar em meados dos anos 2000, em especial com a mudança do perfil de adoecimentos dos trabalhadores, com a redução das chamadas “doenças profissionais” e o avanço de grupos de doenças mais complexas e multicausais como os distúrbios músculo-esqueléticos e os transtornos mentais. Concomitantemente, o rápido aumento dos custos com a saúde suplementar, especialmente com os planos de saúde oferecidos pelos empregadores para seus trabalhadores, cria novas necessidades para gestores.

Assim, o modelo dicotomizado que vigorava entra em colapso. Empregadores, trabalhadores, profissionais de saúde, fornecedores, instituições governamentais e não governamentais buscam, então, soluções de integração na gestão da saúde e segurança, mais voltadas para a prevenção primária e secundária. Este movimento não acontece apenas no Brasil.

Em 2011, nos Estados Unidos, o National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), do Centre for Disease Control and Prevention (CDC) propõe um modelo integrado conhecido como Total Worker HealthTM. Em livre tradução, TWHTM é definido como um conjunto de políticas, programas e práticas que integram a proteção contra os riscos de saúde e segurança relacionados ao trabalho, com a promoção e prevenção de lesões e doenças, otimizando o bem-estar dos trabalhadores. O modelo é apoiado em cinco elementos:

  1. Demonstração do comprometimento de todos os níveis da liderança da organização com a saúde e a segurança dos trabalhadores.
  2. Planejamento do trabalho com o objetivo de eliminar ou reduzir os riscos de saúde e segurança e para promover o bem-estar do trabalhador.
  3. Promover e apoiar o engajamento do trabalhador através de sua participação no planejamento e na implementação dos programas.
  4. Garantir a privacidade e a confidencialidade dos trabalhadores.
  5. Integração de sistemas relevantes para promover o bem-estar dos trabalhadores.

Esta será a conferência a ser feita pela Dra. Márcia Bandini, Presidente da ANAMT, no dia 25/09 durante o 10º Congresso de Reabilitação Profissional e que trata do modelo proposto pela NIOSH/CDC sobre como implementar os elementos do Total Worker HealthTM em diferentes níveis da organização, boas práticas já adotadas nos Estados Unidos e as possíveis aplicações no Brasil.

Participe do 10º Congresso de Reabilitação Profissional
Dias 25 e 26 de setembro de 2017
Hotel Meliá Campinas
Inscrições - http://www.proreabilitacao.com.br/